Em vídeo, secretário da Cultura Roberto Alvim cita o nazista Goebbels e provoca onda de repúdio

Além dos trechos do pronunciamento, a estética do vídeo, a aparência do secretário, o vocabulário, o tom de voz e a trilha sonora escolhida também fizeram várias personalidades compararem a divulgação à propaganda nazista

Um vídeo em que o secretário da Cultura, Roberto Alvim, copia trechos de discurso de Goebbels sobre as artes provocou uma onda de indignação nas redes sociais na madrugada desta sexta-feira (17). O vídeo foi postado pela Secretaria Especial da Cultura do governo Bolsonaro para divulgar o Prêmio Nacional das Artes, lançado horas antes em live com a participação do próprio presidente.  

 

 

"A arte alemã da próxima década será heroica, será ferreamente romântica, será objetiva e livre de sentimentalismo, será nacional com grande páthos e igualmente imperativa e vinculante, ou então não será nada", disse o ministro de cultura e comunicação de Hitler em um pronunciamento para diretores de teatro, segundo o livro "Goebbels: a Biography", de Peter Longerich. 

 

"A arte brasileira da próxima década será heroica e será nacional. Será dotada de grande capacidade de envolvimento emocional e será igualmente imperativa, posto que profundamente vinculada às aspirações urgentes de nosso povo, ou então não será nada", afirmou Alvim no vídeo postado nas redes sociais.

 

Cara, isso é seríssimo.

O vídeo do secretário de cultura não só tem uma estética semelhante à nazista, como também tem uma passagem que é CÓPIA DE UM DISCURSO DO MINISTRO DA PROPAGANDA NAZISTA pic.twitter.com/eFtafsyars

— Jéferfon Menezes (@JefinhoMenes) January 17, 2020

 

Além dos trechos do pronunciamento, a estética do vídeo, a aparência do secretário, o vocabulário, o tom de voz e a trilha sonora escolhida também fizeram várias personalidades compararem a divulgação à propaganda nazista.

A fala de Alvim levou o nome de Goebbels a ser um dos mais citados no Twitter durante a madrugada e fez com que centenas de internautas repudiassem a referência nazista e postassem comparações com a propaganda de Hitler.

Uma das referências no vídeo é a música de fundo, que veio da ópera "Lohengrin", de Richard Wagner, uma obra que Hitler contou em sua autobiografia ter sido decisiva em sua vida.

 

A música que toca no vídeo do Roberto Alvim vem de Lohengrin, de Richard Wagner, uma das obras favoritas de Hitler. Há citação direta de Goebbels em seu discurso. A estética é nazista porque é pra ser. É tudo de propósito. https://t.co/IltymFVfRm

— ℓєαн αrαυנσ (@l3l3ck4) January 17, 2020

 

O pronunciamento de Alvim foi gravado em uma sala que tem o retrato do presidente Jair Bolsonaro ao fundo, a bandeira brasileira de um lado e uma cruz do outro.  
Ele começa citando um pedido do presidente: que a cultura não destrua e sim salve a juventude brasileira. 

"A cultura é a base da pátria. Quando a cultura adoece, o povo adoece junto. E é por isso que queremos uma cultura dinâmica, mas ao mesmo tempo enraizada na nobreza de nossos mitos fundantes", disse o secretário. 

Segundo ele, o Prêmio Nacional das Artes vai gerar milhares de empregos, capacitação profissional e formação de público. "Trata-se de um marco histórico nas artes brasileiras. De relevância imensurável. E sua implementação e perpetuação ao longo dos próximos anos irá redefinir a qualidade da produção cultural em nosso país", completou. 

Prêmio Nacional das Artes

Em sete categorias, o prêmio vai selecionar cinco óperas, 25 espetáculos teatrais, 25 exposições individuais de pintura e 25 de escultura, 25 contos inéditos, 25 CDs musicais e 15 propostas de histórias em quadrinhos. 

Dramaturgo, Alvim ganhou a simpatia de Bolsonaro ao defender o presidente nas redes sociais e ao atacar a atriz Fernanda Montenegro, dizendo sentir "desprezo" por ela. 
Na Secretaria Especial da Cultura, coleciona polêmicas, como a nomeação do jornalista e militante de direita Sérgio Nascimento de Camargo para a presidente da Fundação Palmares. A nomeação foi suspensa após uma grande mobilização contra afirmações de Camargo consideradas racistas. 

Esta semana, Alvim ironizou a indicação de "Democracia em Vertigem" na categoria de melhor documentário longa-metragem do Oscar dizendo que a produção deveria estar na categoria ficção. Dirigido pela cineasta mineira Petra Costa, o filme acompanha o impeachment de Dilma Rousseff a partir de uma visão particular da diretora. 

Fonte, DN

Comentários