Governo Bolsonaro estuda mudanças na Esplanada dos Ministérios

Após tirar Abraham Weintraub do comando do MEC e mandá-lo para o Banco Mundial nos EUA, Palácio do Planalto cogita remanejar Damares Alves do Ministério da Família para o da Cidadania no lugar de Onyx Lorenzoni

Após a aproximação com os partidos do chamado Centrão, um bloco informal no Congresso que reúne parlamentares de legendas de centro e centro-direita, o Governo Bolsonaro começou a mudar a configuração da Esplanada dos Ministérios, tendo em vista a sobrevivência política e a superação da fase de impopularidade, deflagrada desde o início da pandemia do novo coronavírus e da ofensiva contra o Legislativo e o Judiciário. A saída de Abraham Weintraub do comando do Ministério da Educação (MEC) pode ser seguida por uma nova minirreforma ministerial.

Nos bastidores de Brasília, as apostas apontam para a saída do deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) do Ministério da Cidadania. Ele foi um dos homens fortes do primeiro ano de mandato de Bolsonaro na Casa Civil, mas foi perdendo espaço e hoje estaria mais preocupado com seu reduto político no Rio Grande do Sul.

Para o lugar de Onyx no comando do Ministério da Cidadania, o Planalto estudaria a indicação de Damares Alves, ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, que tem a seu favor a avaliação positiva do núcleo militar do Governo e da primeira-dama, Michelle Bolsonaro, além de pesquisas que a colocam na lista dos ministros mais populares da Esplanada.

Comunicações

A necessidade de reforçar sua base de apoio, atraindo novos aliados, a fim de neutralizar os esforços da oposição para emplacar um processo de impeachment, já fez o presidente aumentar a lista de ministérios de 22 para 23, recriando a Pasta das Comunicações, que acomodou o deputado federal Fábio Faria (PSD-RN), empossado na quarta-feira passada. Seu partido, o PSD, é um dos integrantes do Centrão.

Há ainda dois importantes ministérios (Saúde e Educação) que podem ganhar novos gestores depois das negociações com dirigentes partidários. Weintraub ainda aguarda o anúncio de seu substituto definitivo e, ontem, não escondeu sua ansiedade em deixar o Brasil e assumir um cargo no Banco Mundial, nos EUA.

"Estou saindo do Brasil o mais rápido possível (poucos dias). Não quero brigar! Quero ficar quieto, me deixem em paz, porém, não me provoquem!", escreveu o ex-ministro em uma rede social.

Sediado em Washington, o Banco Mundial recebeu ontem a indicação do Governo para que ele passe a integrar os quadros da instituição como diretor executivo.

Passaporte

A oposição vai dar trabalho para Weintraub e já encaminhou pedidos ao Supremo Tribunal Federal (STF), alvo de insultos do ex-ministro, para determinar a apreensão do passaporte dele, a fim de evitar que saia do País enquanto durar o inquérito das fake news em que está implicado.

Reveses

As relações entre o Supremo e o Palácio do Planalto se deterioraram após o tribunal impor uma série de reveses ao Governo, como a suspensão da nomeação de Alexandre Ramagem - amigo da família Bolsonaro - para chefiar a Polícia Federal e o entendimento do Plenário do STF que garantiu a prefeitos e governadores autonomia para tomar medidas de isolamento social no enfrentamento da pandemia.

Já a semana foi marcada pela prisão de apoiadores do presidente, quebra do sigilo bancário de deputados e um senador bolsonaristas e culminou com a prisão de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio, filho mais velho de Bolsonaro.

Busca de trégua

Bolsonaro enviou emissários a São Paulo para tentar uma trégua com o ministro Alexandre de Moraes, do STF. A dispensa de Weintraub, que chamou magistrados da Corte de "vagabundos", foi um gesto político do presidente em busca de uma pacificação com magistrados da Corte.

Na tentativa de uma aproximação, os ministros Jorge Oliveira (Secretaria-Geral da Presidência), André Mendonça (Justiça e Segurança Pública) e José Levi Mello do Amaral Júnior (Advocacia-Geral da União) se reuniram com Moraes, ontem, em São Paulo.

O encontro faz parte da estratégia do Palácio do Planalto para construir um canal de diálogo do presidente com o Supremo.

Moraes é o relator de dois inquéritos que investigam aliados de Bolsonaro. Um deles é o das fake news, que mira o chamado "gabinete do ódio", grupo de assessores comandado pelo vereador Carlos Bolsonaro, e o outro foca a organização de atos antidemocráticos, que pregaram o fechamento do Congresso e do STF.

Fonte, DN

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