Agricultor que encontrou possível petróleo no CE estranhou material que jorrou no quintal e fez teste caseiro: 'Água não pega fogo'

  • 24/03/2026
(Foto: Reprodução)
Agricultor que encontrou possível petróleo no CE diz ter estranhado material O agricultor Sidrônio Moreira, de Tabuleiro do Norte (CE), que encontrou uma possível jazida de petróleo ao perfurar dois poços artesianos em seu quintal, conta que estranhou o líquido preto que jorrou do terreno e fez um 'teste' caseiro para saber do que se tratava. Acreditando que encontraria água, o cearense pediu um empréstimo de R$ 15 mil ao banco para cavar dois poços e resolver um problema antigo na região: falta de água encanada em casa. No lugar, achou um material denso, viscoso e com cheiro de combustível. O caso iniciou em novembro de 2024. A uma equipe do g1 que visitou o Sítio Santo Estevão, onde Sidrônio mora com a família, ele disse que nunca viu material semelhante e ficou triste por não ter encontrado fonte de água própria: "Começou a jorrar esse material preto, uma piçarra. Não encontrei água, encontrei esse material. Quando puxou o óleo, e colocaram em uma vasilha, eu cheirei e disse : É óleo mesmo'. Peguei um pouco, levei acolá, botei [fogo] e o bicho incendiou. Água não pega fogo, é óleo mesmo" , descreveu Sidrônio. LEIA TAMBÉM: Entenda por que agricultores que acharam possível petróleo preferiam ter encontrado água 'Nem água nem R$ 15 mil', lamenta agricultor que contraiu dívida e encontrou possível petróleo O agricultor relembra que às vezes ouve um barulho muito alto, parecido com um "estrondo" ou um "trovão", vindo do local onde o material foi achado. O barulho assusta a família e até os animais do sítio, que correm com medo. Após o primeiro contato, um dos filhos do agricultor decidiu levar o caso para o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE), que tem um campus em Tabuleiro do Norte. Em 2025, testes laboratoriais feitos pelo instituto apontaram que o líquido encontrado pelo agricultor tem as mesmas características físico-químicas do petróleo de jazidas da região vizinha da Bacia Potiguar, no Rio Grande do Norte. Desde então, o caso passou a ser investigado pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). Enquanto aguarda o laudo do órgão, a família segue com problemas de acesso à água, e não há prazo para resposta definitiva do órgão. "Segue com o problema da água, porque depois que descobriu isso, não mexi mais no solo de jeito nenhum. Tava 'doido' que resolvessem isso aí. O que interessa é agua (..) Não quero riqueza, quero apenas sobreviver", reforça Sidrônio. ➡️ Veja linha do tempo do caso Infográfico - Possível descoberta de petróleo registrada em Tabuleiro do Norte, no interior do Ceará. Arte/g1 Falta de água afeta rotina Sidrônio e esposa recebem equipe do g1 em visita a Tabuleiro do Norte, interior do Ceará. Gabriela Feitosa/g1 Sidrônio e a esposa, Maria Luciene, vivem com dois filhos no Sítio Santo Estevão, a cerca de 35 km do centro de Tabuleiro do Norte. Sem acesso à água encanada, a família depende de adutora e carros-pipa para o abastecimento. A renda vem das aposentadorias do casal e da venda de animais, feijão e milho. A água armazenada precisa ser racionada e usada para todas as atividades diárias, do consumo à criação de animais. Para beber, muitas vezes é necessário comprar água mineral. Agricultora que encontrou possível petróleo no CE relata problemas para acessar água A descoberta do líquido com características de petróleo e os custos já assumidos com a perfuração dificultam a tentativa de abrir um novo poço. Além disso, os agricultores foram alertados sobre os riscos de uma nova perfuração feita de forma inadequada. Há a possibilidade de o óleo atingir o lençol freático e contaminar a água da região. Diante disso, a família aguarda orientações da ANP para saber como proceder com segurança. "Nunca foi nossa intenção achar petróleo, sempre foi achar água", afirma Sidnei Moreira. Gabriela Feitosa/g1 O filho de Sidrônio, o gerente de vendas Sidnei Moreira, afirmou que a prioridade da família sempre foi encontrar água para resolver a escassez na propriedade, especialmente por conta da idade do pai e da criação de animais. Segundo ele, caso a substância encontrada seja de fato petróleo, a expectativa é que a situação seja resolvida rapidamente para gerar uma renda extra, o que ajudaria a garantir o abastecimento, ainda que por meio da compra mais frequente de água por carro-pipa. "Nunca foi nossa intenção achar petróleo, sempre foi achar água", declarou. Não há garantia de que família poderá lucrar com a descoberta Agricultor Sidrônio Moreira furou poço em busca de água, mas encontrou óleo que pode ser petróleo Marcelo Andrade/IFCE Mesmo que a presença de petróleo seja confirmada, a família não poderá explorar ou vender o recurso. Pela legislação brasileira, o petróleo pertence à União. A exploração só pode ser feita por empresas autorizadas, após estudos e leilões conduzidos pelo governo federal. Ou seja, o achado não representa, necessariamente, ganho financeiro direto para os agricultores. No entanto, Sidrônio poderá ter um retorno financeiro caso a área passe por um processo de exploração e produção comercial no futuro. Dessa maneira, o proprietário da terra tem direito a receber um percentual do lucro. Dívida de R$ 15 mil Busca por água gera dívida para agricultor que encontrou possível petróleo ao furar poço Para viabilizar o primeiro poço, Sidrônio utilizou parte das economias e ainda precisou recorrer a um empréstimo de R$ 15 mil. Após a frustração inicial, a família chegou a perfurar um segundo poço, mais raso, mas novamente não encontrou água. Desde então, segue à espera de uma resposta oficial. Além de não resolver o problema da água, a perfuração deixou uma dívida. Sem retorno imediato, o investimento pesa no orçamento da família. "Eu disse: 'Mulher, vamos fazer esse empréstimo pra furar esse poço'. Fizemos, fiquei animado, mas agora nem água e nem os R$ 15 mil. A gente se aperreia, né?! Meu pensamento era pegar o dinheiro, fazer esse poço (...), ficar sossegado. Mas não deu. Vamos esperar por Deus, quem sabe não melhora?", lamentou. Depois do empréstimo, eles ficaram com as finanças comprometidas. Enquanto esperam uma resposta definitiva da ANP, Sidrônio não pode mais perfurar poços, e o problema da água continua. O caso começou em novembro de 2024, mas só neste ano a ANP visitou o local pela primeira vez. O vice-prefeito de Tabuleiro do Norte, Antério Fernandes, afirmou que uma nova adutora - uma espécie de tubulação subterrânea criada para transportar grande volume de água - está sendo construída na zona rural da cidade e deve atender mais de 700 famílias. Uma delas é a família de Sidrônio e Luciene. O prazo para a construção é o fim deste mês de março. Assista aos vídeos mais vistos do Ceará: D

FONTE: https://g1.globo.com/ce/ceara/noticia/2026/03/24/agricultor-que-encontrou-possivel-petroleo-no-ce-estranhou-material-que-jorrou-no-quintal-e-fez-teste-caseiro-agua-nao-pega-fogo.ghtml


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