Grampos sugerem que comparsas de Adriano da Nóbrega contataram Bolsonaro, diz site

As conversas, publicadas no sábado, 24, em uma reportagem do portal The Intercept, fazem parte de um relatório da Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Polícia Civil do Rio

Diálogos transcritos de grampos telefônicos sugerem que o presidente Jair Bolsonaro foi contatado por integrantes da rede de proteção do ex-capitão do Bope, Adriano Magalhães da Nóbrega, morto em ação policial no início de 2020. Ele é apontado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) como chefe da milícia de Rio das Pedras, na zona oeste da capital fluminense, e do chamado “Escritório do Crime”.

As conversas publicadas neste sábado, 24, em uma reportagem do portal The Intercept, fazem parte de um relatório da Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Polícia Civil do Rio elaborado a partir das quebras de sigilo telefônico e telemático de suspeitos de ajudar o miliciano nos 383 dias em que circulou foragido pelo País.

A reportagem falou com fontes do MP-RJ, sob a condição de anonimato. Segundo elas, é possível concluir que os nomes são formas de se referir ao presidente. “Casa de vidro” seria uma alusão aos palácios do Planalto e da Alvorada, que possuem as fachadas feitas de vidro.

Após as citações, o Ministério Público Estadual pediu que a Justiça parasse as escutas dos envolvidos nas conversas porque o órgão não pode investigar o presidente da República. Em casos deste tipo, os procuradores têm a obrigação constitucional de encerrar a investigação e encaminhar o processo à Procuradoria Geral da República (PGR), que tem esse poder.

Questionada, a PGR informou que buscas nos sistemas da Procuradoria por meio do número de processo indicado não retornaram resultados. Uma fonte que conhece o sistema da PGR, ouvida pelos jornalistas do The Intercept, entende que isso pode significar tanto que o processo foi encaminhado com outro número quanto que ainda não foi encaminhado ou mesmo que a procuradoria apenas não o encontrou em seus arquivos.

De acordo com a reportagem, as conversas de apoiadores do miliciano contendo supostas referências ao presidente da República começaram a aparecer nos grampos a partir do dia da morte de Adriano, em 9 de fevereiro de 2020, e continuaram por 11 dias.

A primeira ligação foi feita horas depois da morte de Adriano por Ronaldo Cesar, conhecido como Grande. Ele é apontado como um dos elos entre os negócios legais e ilegais do miliciano. No telefonema, ele afirmou a uma mulher não identificada que ligaria para o “cara da casa de vidro” e disse que havia conversado com Adriano de que algo “ruim” iria acontecer.

No dia 13 de fevereiro de 2020, Grande conversou com um homem. Na transcrição, essa pessoa é definida como HNI (sigla para “homem não identificado”) e, entre parênteses, PRESIDENTE, em letras maiúsculas. Na ocasião, ele relatou que a família de Adriano enfrentava problemas de divisão de bens. O interlocutor se colocou à disposição para ajudar em algum contratempo futuro.

Em conversas do pecuarista Leandro Abreu Guimarães e de sua mulher, Ana Gabriela Nunes, também em 13 de fevereiro de 2020, o nome “Jair” é mencionado. Gabriela, por exemplo, conversou com uma mulher identificada como Nina. Ela disse que a polícia voltou a sua casa “com o promotor” e que o “Leandro está querendo falar com Jair”.

Em março, o The Intercept revelou que o nome de Bolsonaro já havia sido citado por pessoas ligadas a Adriano. O sargento da PM Luiz Carlos Felipe Martins, conhecido como Orelha, disse a um interlocutor não identificado que “Adriano falava que se fodia por ser amigo do presidente da República”. Orelha era um dos homens de confiança do miliciano Adriano, que tinha ligação ainda com o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do presidente.

Fonte, OPovo.com

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