14 de junho de 2018 às 02:00

Causos da Copa: o bico na bola contra o Brasil que virou mistério até hoje

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Quatro jogadores brasileiros conversavam em torno da bola para definir quem bateria a falta. Claro que o encarregado seria Rivellino, especialista na jogada. 

Para garantir o espaço para a cobrança, Nelinho, outro que tinha de chute potente, contou dez passos até a barreira. Foi empurrado por um adversário. Até ali, nada demais. Mais uma jogada como tantas outras do futebol.

O que veio a seguir, entrou para a história. Rivellino ameaçou correr para a bola, mas parou e foi falar algo com Valdomiro. Um jogador de camisa verde saiu em disparada da barreira e deu um bico na bola, com a partida parada. Ninguém entendeu nada.

Naquele Brasil e Zaire, pela Copa do Mundo de 1974, o lateral Mwepu Ilunga colocou seu nome no folclore do futebol. “A gente pensou que ele estava louco”, confessa Rivellino.

Naquele momento, o lance arrancou risos ao redor do mundo. Depois se tornou mitologia. Ilunga morreu em 2015 e até hoje ninguém tem 100% de certeza do motivo para ele ter protagonizado uma jogada tão nonsense. 

Cinco anos antes antes de morrer, Ilunga deu entrevista para a revista francesa L?Equipe dizendo que o bico na bola foi um gesto político. 

“Eu fiz de propósito. Não tinha motivo para continuar me arriscando em campo quando todos os que iam se beneficiar financeiramente estavam sentados no estádio, nos assistindo”, afirmou.

“Nós tínhamos passado dois meses longe das nossas famílias, sem ninguém ao nosso lado. Não existiam as formas de comunicação que há hoje. E eles tiram o nosso dinheiro? Você não pode fazer isso!”, protestou.

A reclamação seria contra o ditador Mobutu Sese Seko e os cartolas da federação nacional, que não haviam cumprido a promessa de pagamentos aos jogadores. 

O Zaire perdeu os três jogos que disputou. Foi derrotado pela Iugoslávia no que foi então a maior goleada da história das Copas (9 a 0). 

De acordo com o Ilunga, a diferença no placar aconteceu porque os jogadores africanos não queriam entrar em campo e foram ameaçados de proibição de retornar ao país.

Mas outros nomes daquela seleção, como o atacante N?Tumba e o meia Mafu, disseram que, na verdade, não houve protesto algum. Ilunga deu o chutão apenas porque não conhecia as regras. 

A melhor geração do futebol do país ficou em segundo plano por causa da campanha ruim do Mundial, quando levou 14 gols em três partidas, não marcou nenhum e é lembrada até hoje pelo chutão de Mwepu Ilunga contra o Brasil. 

Um lance tão folclórico que foram fabricadas camisetas com o rosto do jogador que depois se tornou assistente técnico de sua seleção.

“Eles perderam todos os jogos, mas abriram caminho para a África negra nas Copas. Merecem ser lembrados com respeito”, diz o ex-atacante Roger Milla, de Camarões.

Fonte: FOLHA

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