06 de junho de 2018 às 02:00

Dia dos Namorados: bom para restaurantes, péssimo para você

O Dia dos Namorados existe para celebrar o amor: o amor dos donos de restaurante pelo dinheiro. No Brasil, o jantar de 12 de junho é esperado com ansiedade nas melhores casas do ramo. Na data, registram o maior movimento e o maior faturamento do ano.

O Dia dos Namorados existe para celebrar o amor: o amor dos donos de restaurante pelo dinheiro. No Brasil, o jantar de 12 de junho é esperado com ansiedade nas melhores casas do ramo. Na data, registram o maior movimento e o maior faturamento do ano.

Nada contra donos de restaurante, inclusive tenho amigos. Sei o quão difícil é ganhar a vida nesse negócio. Só que você, cliente, não tem nada a ver com o caminho de pedras do empreendedor. Ele escolheu abrir um restaurante. Você pode â?”e deveâ?” escolher ficar longe de qualquer restaurante no 12 de junho.

Se você ainda não aprendeu com a própria experiência, reflita: maior faturamento, maior movimento, gente, muita gente. Filas. Pior do que fila de restaurante na noite dos namorados, só fila de motel.
Resista ao marketing guerrilheiro desse pessoal. Às promoções irresistíveis para a noite fatídica. Meia garrafa de espumante e uma sobremesa em forma de coração não pagam o perrengue que aguarda os casais.

O serviço será desastroso, pode apostar.

Culpa de ninguém, apenas mais uma questão aritmética. Com o movimento muito acima do normal, os restaurantes saem em busca de mão de obra extra para a cozinha e o salão. Todos os restaurantes. É fácil deduzir que não há tantos braços disponíveis para o trabalho de uma noite.

Os que aceitam esse tipo de missão costumam ser os profissionais menos qualificados do mercado. O rebotalho do refugo. Um exército de mocorongos sem a menor intimidade com a rotina de funcionamento da casa que os contratou.

O filé chegará queimado â?”se chegar. A caipirinha, adoçada com sal. A conta virá cheia de surpresinhas. A mesa, reservada com dois meses de antecedência, estará ocupada. “Pane no sistema, desculpem. O couvert é por nossa conta.”

Fique em casa com seu chuchu, seu docinho de coco. Se você é jovem e não tem um cafofo com privacidade, faça qualquer coisa sem fila. Boteco. Balada. Dormir cedo. Você tem toda a vida pela frente para namorar.

Casais com teto próprio podem cozinhar, mas nada que tome muito tempo no fogão. Massa simples. Um grelhado.

Melhor ainda, peça comida. Os aplicativos tornaram esse esporte muito mais atraente. Vai demorar, porque a comida vem dos mesmos restaurantes abarrotados de gente. Você está em casa, no maior chamego. Relaxe.

Se ainda assim você não desistiu de jantar fora, acho que entendi a sua vibe. São Paulo está cheia de masmorras com festas BDSM, é só procurar para achar. Restaurante é hardcore demais, saia dessa vida.

Fonte: FOLHA

comentários

Estúdio Ao Vivo