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16 de maio de 2018 às 02:00

Oposição se divide sobre votar na eleição venezuelana

A questão é votar ou não votar.

A questão é votar ou não votar.

A poucos dias da eleição presidencial deste domingo (20), opositores do regime de Nicolás Maduro estão divididos sobre se vale a pena comparecer às urnas.

Entre os que defendem o voto, o argumento mais forte é a alta rejeição a Maduro â?”em torno de 80%. 
Na pesquisa de intenção de voto mais recente do Instituto Datanálisis, ele aparece  7,1 pontos percentuais atrás do candidato oposicionista Henri Falcón (41,4% a 34,3%).

“Nunca tivemos as condições históricas como agora”, afirma Luis Augusto Romero, secretário-geral do Avanço Progressista, partido de Falcón, ao mencionar a impopularidade de Maduro, em meio à hiperinflação e à recessão que assolam o país.

“Temos a extraordinária possibilidade de sair deste governo delinquente pela via pacífica e constitucional”, diz.

Outro argumento dos favoráveis à participação é o resultado do boicote da oposição à eleição legislativa de 2005.

Com controle total da Assembleia Nacional, os governistas nomearam sozinhos juízes do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) e reitores do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), além de mudar as leis sem interferência da oposição.

“Foi o melhor dos favores do mundo. O governo queria se tornar autoritário, e a oposição deixou o caminho livre”, afirma o sociólogo Carlos Raúl Hernández, da Universidade Central da Venezuela, que defende o comparecimento.

Na classe política, a posição a favor da abstenção é majoritária e inclui a coalizão oposicionista MUD (Mesa da Unidade Democrática). Seus principais nomes, Henrique Capriles e Leopoldo López, estão inelegíveis por decisão de órgãos federais controlados pelo chavismo.

“Há muito pouca possibilidade de mudança política”, afirma o cientista político Guillermo Tell Aveledo, da Universidade Metropolitana, que não sairá de casa para votar no domingo.

O analista cita duas razões para prever o triunfo de Maduro. Em primeiro lugar, ele não vê no ex-chavista Falcón a capacidade para mobilizar em massa o eleitorado opositor. 

O cientista político também aponta para uma ampla vantagem do governismo por controlar instituições como o CNE e as Forças Armadas, além do uso da máquina estatal para distribuir benesses aos eleitores. 

Em dezembro, foram identificados fortes indícios de fraude eleitoral no estado de Bolívar, no sudeste do país. Dois meses antes, o chavismo elegera 18 governadores, e a oposição, apenas 5, apesar da alta rejeição a Maduro.

Em agosto, a empresa Smartmatic, que instalou o sistema de urnas eletrônicas venezuelano, acusou o CNE de inflar em pelo menos 1 milhão de votos o resultado da eleição da Assembleia Constituinte, boicotada pela oposição.

O CNE rechaçou a acusação e ratificou o número oficial de que 8 milhões de eleitores haviam votado (41,5% do eleitorado).

Cada vez mais intenso, o debate sobre participar do pleito de domingo divide opiniões no jornal digital opositor TalCual, fundado pelo dirigente político Teodoro Petkoff.

A reportagem da Folha perguntou a posição dos 14 funcionários que estavam na Redação do jornal nesta terça (15). Cinco disseram que não votarão, quatro planejam ir à urna e cinco estão indecisos.

Geralmente realizada em dezembro, a eleição presidencial foi antecipada por Maduro, sob a alegação de que dará mais estabilidade política ao país. O mandato presidencial na Venezuela é de seis anos, sem limites para reeleição.

Para observadores, a antecipação aumenta as chances de Maduro, em meio à deterioração das condições socioeconômicas do país, sem sinais de reversão no curto prazo.

Fonte: FOLHA

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