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13 de junho de 2018 às 02:00

Repulsivamente publicitário, filme de Trump para Kim só se destina a seduzir

Fabuloso Trump! O único homem capaz de promover um encontro e a publicidade deste. Um encontro cujo sentido é oferecido previamente a seu partner, por meio de imagens.

Fabuloso Trump! O único homem capaz de promover um encontro e a publicidade deste. Um encontro cujo sentido é oferecido previamente a seu partner, por meio de imagens.

Nos poucos minutos desse filme publicitário, podemos ver das pirâmides às modernas cidades, da dança tradicional ao jogo de basquete, da ciência ao avião de guerra.

Poucos homens têm a oportunidade de fazer a diferença, diz o locutor no estilo das propagandas tipo Viagra. Trata-se, então, de olhar para o futuro. Esquecer o passado.

Nesse futuro não existem apenas armas, trens ultravelozes e jogadores de basquete idem. De repente, nos deparamos com um belo prato de comida italiana.

O estilo é repulsivamente publicitário: as imagens pipocam diante do espectador e somem, como se tivessem vergonha de si mesmas, ou, o que é mais provável, como se não quisessem dar ao espectador o tempo de pensar.

Seu objetivo não é criar conhecimento ou mostrar algo real, mas seduzir o espectador. O espectador é, no caso, o jovem Kim.

O mundo evocado, porém, é o de Trump: imagens rápidas como tuítes, nos quais costumam caber as reflexões do presidente norte-americano. Será ele o homem dos novos tempos? Será que sua solene ignorância é o que o mundo espera das novas lideranças?

Trump provavelmente desconhece que Pyongyang foi bombardeada pelos EUA até virar uma cidade semifantasma. Foi na Guerra da Coreia, quando quem pontificava era outro Kim, avô do atual. Aquelas imagens estão em "Napalm", de Claude Lanzmann.

Mas a Trump isso pouco importa: ele é o homem do futuro, do mundo-todo-imagem, tratando de introduzir ao mundo do consumo o último refratário. É isso que o filme sugere: que Kim tem a rara oportunidade de deixar para trás o árido mundo herdado da guerra e do comunismo em troca das belezas do capitalismo à americana.

Será essa uma boa estratégia? Kim conhece bem esse outro lado, ali colado a ele: chama-se Coreia do Sul. Será que Trump o convencerá de que é o amigo que acabará com o miserê norte-coreano?

Será, em suma, que a adição de imagens numa velocidade que as torna quase caóticas pode convencer o poderoso Kim a afrouxar sua férrea ditadura em troca de...

De quê, afinal? Do basquete, do trem-bala? A julgar pelos confrontos com seus parceiros habituais, tudo que Trump pretende é esfolar quem puder, coreano ou não.

Só com o tempo será possível verificar se a força da publicidade e das imagens ordinárias, associada a tuítes, é grande para permitir que Trump e Kim "façam a diferença".

Fonte: FOLHA

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